CPMF será ressuscitada?

BRASIL SAÚDE

“Gato escaldado sente medo de água fria”, que o diga o ministro da Saúde, Arthur Chioro, que há cerca de dois meses tomou um desmentido feio do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quando disse que o governo federal ia propor oficialmente a volta da CPMF para financiar a área. A afirmação saiu enquanto o PT realizava o seu Congresso do PT, e pôs todo mundo pra correr. Assim, ontem, Chioro nem tocou no assunto durante congresso em Goiânia, mas passou perto, beliscou, levantando hipóteses para fontes de novos recursos, como vocês poderão ver abaixo. Pelos cálculos do governo, desde quando a CPMF foi extinta, R$ 350 mi deixaram de ir para a Saúde.

O duro é que, olhando pra trás, não dá para ver a Saúde tão melhor lá do que está agora. Os médicos ainda consideravam os pagamentos baixos, preferindo as práticas privadas e deixando vagas nos serviços sem serem preenchidas, a tabela do SUS ainda era criticada por não cobrir a maior parte dos procedimentos, colocando a corda no pescoço de serviços beneficentes, e por aí vai. Essa realidade ainda é muito viva, pois 2007 ainda está vivo na nossa memória. Hélio de Oliveira Santos (PDT) era o prefeito de Campinas e Francisco Kerr Saraiva o secretário de Saúde. Lembram-se das cobranças e das respostas? Então? Pode ser injusto dizer que o problema é só gestão, mas, primeiro, para pedir mais dinheiro à população, é preciso que os governos façam a sua parte, a começar pelo controle dos pontos dos médicos, já que parte deles insistem em ser funcionário fantasma, lesando os usuários do SUS e dos contribuintes. Depois que na Saúde estiver tudo controlado, o governo deveria cortar na sua carne, cortando comissionados, por exemplo, distribuição de cargos em troca de apoio e por aí vai.

Zezé de Lima 

 

Segue a matéria:

Chioro defende revisão no financiamento do sistema de saúde pública

Aline Leal – Repórter da Agência Brasil *
A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi extinta em 2007. Desde então, o governo deixou de arrecadar mais de R$350 bilhões para a saúde. O cálculo é do ministro da Saúde, Arthur Chioro, concordando com a necessidade de revisão do financiamento da saúde pública brasileira.
Durante a abertura do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Goiânia, o ministro disse que o governo defende um Sistema Único de Saúde universal e integral. Para Chioro, isso custa alto e tem de ser financiado pela sociedade brasileira.
“Esse financiamento virá do imposto das grandes fortunas ou da taxação das heranças? Vamos mexer na chamada taxação do pecado (fumo, álcool, jogos de azar etc)? Vamos direcionar os recursos do seguro Dpvat, que hoje ficam nas mãos das seguradoras e não vão para as dos usuários? Existem várias possibilidades que precisam ser discutidas com a sociedade”, questionou o ministro.
Chioro destacou que, enquanto o Reino Unido, considerado modelo de saúde pública universal, gasta U$3 mil por ano por habitante, no Brasil, considerando valores de 2013 e partindo de municípios, estados e União, o valor não ultrapassou U$525.
De acordo com o ministro, sociedade e governantes precisam rever o financiamento do sistema de saúde. Segundo ele, é uma injustiça a afirmação de que os gestores gastam mal o dinheiro da saúde.

*A repórter viajou a convite da Abrasco

 

Edição: Armando Cardoso

Sobre o autor

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou editora-executiva do Jornal Metro de Campinas e comentarista política da Band-Campinas. Também sou âncora do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h10 às 14h, na Band Campinas. Apresento ainda o Entrevista Coletiva, programa a Band. Tenho paixão pela minha profissão de repórter. E entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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