Jonas congela projeto que criou parklets

Administração municipal Câmara de Vereadores GOVERNO JONAS
Rose Guglielminetti

Sem uma diretriz claramente definida, o projeto de implantação de parklets em Campinas foi congelado ontem pelo prefeito Jonas Donizette (PSB). O prefeito determinou à Setec que seja expedido um auto de proibição de exploração comercial do negócio. Essa determinação vai valer, segundo ele, até que um projeto sobre o assunto seja debatido e votado na Câmara.

Jonas disse que tomou a decisão ontem, depois de uma conversar com a direção da Setec e o secretário de Transportes, Carlos José Barreiro. A ideia do implantar um projeto-piloto de parklet surgiu na Emdec.

“O projeto-piloto é legal. A ideia é boa e já foi adotada em vários países, mas para dirimir qualquer dúvida, decidi que é melhor regulamentar”, explicou o prefeito.

O conceito de parklet surgiu nos Estados Unidos com a ideia de transformar em mini praças de convívio, espaços antes ocupados por uma ou duas vagas de estacionamento.

Em Campinas, o projeto foi iniciado na Rua Cel. Quirino, em frente ao Bar Cenário, no Cambuí, quando um grupo de empresários decidiu ocupar parte da rua como extensão do bar.

“O Barreiro me disse que até já tem um projeto pronto, mas eu preferi prestigiar o do Vinícius (vereador Vinícius Grati, que tramita na Câmara)”, disse Jonas. “Até lá, não vamos permitir que o espaço seja usado comercialmente”, finalizou.

Quando o programa foi lançado, há menos de duas semanas, Barreiro explicou que a ideia era testar a proposta por cerca de seis meses e, em seguida, elaborar um regramento. De acordo com ele, os parklets seriam disseminados pelo centro da cidade e atingiriam  até mesmo regiões mais periféricas, como o distrito do Campo Grande. A Emdec garante que não haverá impacto no trânsito.

A medida provocou reações distintas – de grupos contrários e favoráveis. Ao ponto de uma petição online ter sido organizada para discutir a substituição dos parklets pelo alargamento das calçadas.

Texto: Tote Nunes

Sobre o autor

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou editora-executiva do Jornal Metro de Campinas e comentarista política da Band-Campinas. Também sou âncora do programa “Bastidores do Poder”, que vai ao ar todos os dias das 13h10 às 14h, na Band Campinas. Apresento ainda o Entrevista Coletiva, programa a Band. Tenho paixão pela minha profissão de repórter. E entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

Comentários

  • Uma idéia excelente , já adotada em diversas cidades e países, porém não igual o projeto de Campinas…São Paulo é o exemplo a ser seguido nesse projeto…os parklets são móveis e não existe a exploração comercial dos mesmos

  • Enquanto as ruas das cidades de Porto Alegre e São Paulo ganham novos espaços de convivência através da implantação dos parklets, em Campinas observamos uma saudável polêmica que envolve exatamente a implantação dos chamados parklets, especialmente o que se instalou no coração do Cambuí, sob a alegação que por aqui ocorreu verdadeira apropriação dos espaços públicos pelo interesse privado.

    Confesso que sequer conhecia a palavra parklet até ler a ótima matéria em jornal local alguns posts no Facebook sobre o tema, os quais despertaram minha curiosidade e me convidaram à pesquisa e reflexão.
    Descobri que os parklets podem ser compreendidos como instrumentos eficientes e necessários para o melhor aproveitamento dos espaços públicos, pois ele ampliaria as calçadas e traria mais espaço para a circulação de pessoas, efeito que se bem trabalhado tornar-se-ia indutor à convivência válida e necessária das pessoas, rompendo a lógica de confinamento oferecida pelas catedrais do consumo; descobri também que a ideia vem dos EUA e, em síntese, consiste em ocupar a área de dois automóveis na rua em frente a restaurantes, bares e endereços de comidinhas, entre outros tipos de estabelecimentos, com uma área de convivência. A ideia é ótima, pois criaria um agradável espaço com bancos e plantas.
    Em São Paulo esse modelo de parklet que foi importado de São Francisco, na Califórnia, pelo prefeito Fernando Haddad, não para de se multiplicar e vai o mudando a paisagem paulistana. A crítica lá na capital é que teoricamente os garçons não deveriam servir clientes nesses espaços, considerados de uso público, mas na prática, não é o que acontece e os parklets viram extensão dos estabelecimentos do entorno… Eu pergunto: será que isso é assim tão negativo se os espaços cumprirem a função de propiciar a convivência entre os cidadãos?
    Em Campinas a questão também é saber se ocorreu de fato apropriação do espaço público por interesse privado, desvirtuando a obra de seu objetivo original, ou seja, se de fato o parklet instalado na Rua Coronel Quirino, que deveria ser um espaço público de convivência, acabou se tornando uma espécie de “puxadinho” em frente a estabelecimento comercial privado e para atender apenas seu interesse, como alegam os críticos (pessoalmente não acredito que o restaurante em frente o parklet, estabelecimento que tem mais de duas décadas e meia, precisasse dessa ajuda, pois é um local tradicional no Cambuí e na cidade).
    De acordo com a Emdec, o restaurante não está descumprindo o proposto no projeto e o local não tem nenhum vínculo com o comércio no entorno da estrutura, mas devemos aprofundar um pouco mais a compreensão do conceito e dos fatos.
    No singular, “espaço público” refere-se à esfera pública, ao domínio dos processos propriamente políticos, das relações de poder e das formas que estas assumem nas sociedades contemporâneas. Nos espaços das cidades, na mídia ou na internet, é a esfera da cidadania e da expressão política das forças sociais, inclusive daquelas que pretendem a despolitização das relações humanas.
    No plural, o termo “espaços públicos” compreende os lugares urbanos que, em conjunto com infraestruturas e equipamentos coletivos, dão suporte à vida em comum: ruas, avenidas, praças, parques. Nessa acepção, são bens públicos, carregados de significados, palco de disputas e conflitos, mas também de festas e celebrações.
    Esses dois sentidos se interpenetram e, mais, não podem ser tomados fora de suas articulações ao domínio privado – o qual inclui pessoas, famílias, grupos, empresas, corporações. Limites, estrutura, forma e função desses espaços constituem partes de agenciamentos complexos e dinâmicos, que se diferenciam conforme países e culturas. Penso que o desafio é expressar tal complexidade de modo crítico, não redutivo, empenhado e por vezes insurgente, apontando outras tantas práticas possíveis.
    Por isso os espaços públicos precisam de regulamentação, regulação e debate; também por isso os tais parklets não podem ser tratados de forma diferente, ou seja, precisam ser regulamentados e sua implantação deve ter como objetivo humanizar e democratizar o uso da rua, tornando-a mais atrativa e convidativa, e provocando uma reflexão sobre a cidade que queremos habitar, afinal seu objetivo é promover a permanência no espaço público.
    Em Campinas a implantação dos parklets vai de encontro a outras políticas públicas municipais, como o wifi Livre (que vem sendo implantado pela prefeitura através da IMA), a necessária renovação da iluminação pública, o incentivo ao uso de bicicletas, a criação de ciclovias e ciclo faixas, assim como o debate sobre a qualidade do transporte público e a introdução de outros modais.
    Penso que o tempo do “não” como proposta de política pública dever dar lugar a críticas propositivas, pois os tempos já são sombrios e não podemos transformar a possibilidade que o debate construtivo traz, em mero embate niilista.
    Sou a favor da implantação dos parklets nesses termos, pois eles representarão a melhora das condições de segurança, e podem promover uma vida mais saudável e estimular o uso democrático e participativo da cidade.

  • As coisas no desgoverno do radialista funcionam assim: a proposta é feita sem estudo, sem planejamento, sem nada. Mas a proposta é feita. Depois eles mesmos vão lá e congelam a proposta feita anteriormente. Daí vão lá e fazem uma remenda mal feita. E nisso, vai se gastando tempo de trabalho de pessoas sérias e, logicamente, dinheiro público. Daí o radialista fica no déficit e põe a culpa na crise. Crise? A crise que se atravessa em campinas é uma crise de má gestão, de gente despreparada para administrar esta cidade.

  • Qualquer literatura sobre o assunto parklet descreve as principais premissas para sua implantação, com ações propositivas e o embasamento técnico e, em diversas cidades, a implantação ocorreu de forma pacifica com a percepção de ganho para a sociedade e para a cidade, justamente porque seguiram as premissas técnicas.
    Mais uma vez o Sr. Barreiro, dono da verdade, toma decisão arbitraria sem o devido embasamento, sabe-se lá porque ou para atender a quem e um equipamento que pode ser importante para cidade gera mais polemica do que o resultado esperado….até quando podemos pactuar com esta forma de administrar a cidade???

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