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Após ministro da Educação criticar, Unicamp homenageia Paulo Freire

Tendo sido criticado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, o educador Paulo Freire vai ser homenageado pela Unicamp nesta quarta-feira, às 17h, quando terá seu nome dado a um prédio da Faculdade de Educação da universidade. Ele foi professor da Unicamp durante 10 anos – de 1981 a 1991 – no hoje denominado Departamento de Ciências Sociais na Educação, ministrando as disciplinas de educação e movimentos sociais.

A iniciativa foi dos estudantes do mestrado da faculdade que em grande maioria trabalha com círculos de cultura, utilizando métodos de Paulo Freire nas escolas públicas. “A nomeação se dá num momento em que as ofensivas contra a escola pública vêm de todas as partes, contra estudantes e professores, contra os recursos a ela endereçados. Para nós, fica muito claro que é um projeto orquestrado para tirar o povo brasileiro do orçamento do Estado. A escola pública é um patrimônio do povo para a construção de um país mais civilizado, educado e com menos desigualdades”, diz Débora Mazza, ex-aluna do educador pernambucano e diretora da Faculdade de Educação da Unicamp.

Na semana passada, quando o ex-ministro esteve num evento em São Paulo, um grupo de professores fez um protesto em que levantaram livros de Paulo Freire. Questionado sobre a manifestação dos professores, Weintraub afirmou, no dia, que respeita opiniões diferentes das dele. “Ela tem o direito de dizer ‘Viva Paulo Freire’. Eu também tenho o direito de dizer que o único lugar que segue Paulo Freire é o Brasil. Quando você tem uma pesquisa que é boa, um antibiótico, uma aspirina ou um avião, os outros tendem a copiar. Ninguém quis copiar Paulo Freire e nossos resultados são ruins”, disse.

A professora Nima Spigolon, coordenadora do Mestrado Profissional, observa que o prédio principal concentra o “cérebro” e o “coração” da Faculdade de Educação e, visto do alto, forma uma estrela de seis pontas. “Nele estão a direção, as coordenações, os departamentos, as salas dos docentes, a sala da congregação, o salão nobre, a secretaria de pesquisa, a secretaria de eventos. Esta nomeação, quando o país vive o acirramento de um cenário político que alveja a universidade e a educação públicas e a ciência e tecnologia do país, mostra o quanto Paulo Freire ainda é presente, pulsando em nossas pesquisas e relações. Acho que é assim que ele gostaria de ser lembrado.”

Fotos: Unicamp

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

1 comentário

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  • Atos como esse, indicam que a política de combate ao marxismo cultural nas universidades públicas brasileiras, que Bolsonaro quer implantar, está mais do que correta. Quando o conhecimento acadêmico agrega valores para a sociedade, ele é adotado por outros povos e outras culturas. Isso não fica limitado a área de tecnologias, acontece também nas áreas de humanas como os estudos de Piaget e Freud. Na obra Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire explicita um novo método de alfabetização libertário, entretanto nenhum país ousou adotá-lo como método de ensino, nem mesmo aqueles países de regime socialista como Cuba, China e na extinta União Soviética, cujos líderes Lênin, Fidel, Che Guevara e Mao Tse-Tung Paulo Freire muito admirava, porque utilizavam a educação como instrumento de política de igualitarismo. Paulo Freire é o nematoide intelectual que há anos habita nas universidades brasileiras e precisa ser extinto. Pasmem, ele ainda é o patrono oficial da nossa Educação.

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

Marcos Andrade

Marcos Andrade

Marcos Andrade é formado em jornalismo pela Unesp e pós graduado em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais pelo Senac. Com passagens pelas rádios Band News FM e Bandeirantes de Campinas, é produtor do programa Bastidores do Poder da Band Campinas desde 2016.

Zezé de Lima

Zezé de Lima

Jornalista que começou no Diário do Povo, quando a sede era na César Bierrembach, e com histórias no Jornal de Domingo e Correio Popular. Na última década, já fiz de tudo na Band Campinas. Hoje posso fazer só o que gosto.

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