EDUCAÇÃO

Caso de racismo na PUC-Campinas tem protesto de alunos e mobiliza Câmara

Um suposto caso de racismo que ocorreu na semana passada durante um evento cultural na PUC-Campinas resultou, na noite de ontem (16/09), num protesto de repúdio de estudantes e em debate na Câmara de Vereadores.

Os estudantes, de vários centros acadêmicos, fizeram uma caminhada dentro da universidade gritando palavras de ordem em repúdio a ação do aluno do curso de Direito que teria dito palavras racistas a uma aluna.

De acordo com a denúncia, um aluno do curso de Direito fez imitações de macaco, enquanto uma aluna recitava o poema “Me Gritaram Negra”, durante um sarau do Centro Acadêmico de Ciências Sociais. “… repudiamos totalmente este ato racista (…)Queremos que a PUC Campinas se pronuncie sobre o caso e expulse este racista da Universidade”, pede a nota do Centro Acadêmico.

Protesto Câmara

Os vereadores aprovaram ontem duas moções de protesto, além de terem utilizado a tribuna para chamar atenção ao caso. Uma das moções foi assinada pelos vereadores Carlão do PT e Gustavo Petta (PCdoB). A outra é de autoria da vereadora Mariana Conti (Psol), na qual é feito agravo para que a universidade se posicione contra o racismo e adote medidas internas para o combate a esta prática.

“A nossa sugestão é que a PUC crie um centro de estudos para possibilitar debates e que crimes de racismos não ocorram mais”, disse Carlão do PT.

Outro lado

Em nota, A PUC-Campinas informou que abriu sindicância para apurar as denúncias e disse que acompanha as investigações a serem conduzidas pela Polícia Civil.

Sobre o autor

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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1 Comentário

  • “Suposto – adjetivo: 1. admitido por hipótese; dado ou apresentado hipoteticamente; conjecturado.
    “julgado por s. delitos”; 2. falsamente atribuído a (alguém); supositício”. O que ocorreu durante o evento de reinauguração do Centro Acadêmico de Ciências Sociais na PUC-Campinas não teve nada de hipotético. Foi real. Concreto. Claro e objetivo. O aluno do curso de Direito imitava um macaco para ridiculizar a aluna que recitava o poema “Me gritaram negra”. Chamar ou fazer gestos imitativos de macaco para um negro é a forma mais abjeta de racismo. É fazer o que as elites escravocratas deste país sempre fizeram: animalizar um ser humano, destituindo-lhe de toda humanidade. Os médicos pediatras fazem algo semelhante quando recusam ministrar medicamentos que aliviem a dor para mulheres negras em trabalho de parto. “Ela é forte, aguenta o tranco”, dizem. A mesma coisa quando a sociedade hipersexualiza o homem negro. Portanto, ao atribuir suposição para algo real é uma forma de mascarar uma situação ou, no extrema, atenuar-lhes os efeitos.

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