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2 min readEx-vendedor da Coaf diz que contrato de merenda de Campinas foi fraudado

O ex-vendedor da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), Carlos Luciano Lopes, disse em depoimento ao Ministério Público e à Polícia Civil que contrato da merenda escolar para fornecimento de suco firmado entre a empresa e a Prefeitura de Campinas em 2012 foi fraudado. A Promotoria investiga a “Máfia da Merenda” que apura irregularidades em pelo menos 20 prefeituras paulistas – entre elas a de Campinas, Americana, Paulínia, Valinhos, Limeira e Araras.

No depoimento, Lopes afirma ter ouvido do presidente da Coaf, Cássio Chebabi “que se não fosse feito o pagamento das comissões aos servidores públicos e intermediários (de Campinas), a Coaf não receberia o pagamento da prefeitura”. No depoimento, porém, ele não descreve os nome das pessoas que recebiam propina.

Segundo o ex-vendedor, o responsável pela celebração desse contrato foi Chebabi e Emerson Girardi – ex-tesoureiro e também ex-vendedor da cooperativa.

Na primeira semana de abril, o empresário de Campinas Joaquim Geraldo Pereira da Silva foi preso sob a suspeita de envolvimento na máfia da merenda. Ele ficou detido por 10 dias, foi solto e negou participação no esquema. Ele era representante de duas empresas, a Coaf e da Panificadora e Distribuidora Re-Ali Ltda. Sob o seu comando, a Coaf vendeu produtos para Valinhos e a segunda tem contrato de R$ 5,6 milhões com a Prefeitura de Campinas.

O caso

O MP investiga um esquema de pagamento de propina para políticos e servidores públicos em licitações de produtos de merenda para prefeituras no Estado de São Paulo. O pedágio pago pelas empresas a políticos e servidores públicos chegavam a até 30%, segundo os promotores. Apelidada de Alba Branca, os promotores avaliam que as fraudes nas contratações, feitas entre 2013 e 2015, somam R$ 7 milhões, sendo R$ 700 mil destinados ao pagamento de propina e comissões ilícitas.

Investigações mostraram que um saco de arroz era superfaturado em até cinco vezes. Em delação, Girardi afirmou ter recebido entre R$ 60 e R$ 70 mil de Chebabi, que sacava e distribuía o dinheiro entre os envolvidos. No total, esses saques atingiram R$ 400 mil.

Em uma foto apreendida no celular, Lopes aparece sorrindo com alta quantia de dinheiro – que, para a polícia, seria de ganhos com propinas.

Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que o contrato do suco envolvido na denúncia é de 2012 e que os produtos foram entregues e a prefeitura pagou o preço contratado. Ressaltou que a atual gestão fez um novo processo licitatório, em 2014, que resultou em uma redução de 22% no valor do produto (era R$ 1,89 e passou para R$ 1,55) em relação ao contrato anterior. O governo disse que não tem mais contrato com a Coaf. Prefeito de Campinas no período em que o contrato foi firmado, Pedro Serafim (PRB) não foi localizado para comentar.

Texto: Tote Nunes e Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

3 comentários

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  • A Prefeitura, mais recentemente, efetuou pelo menos dois contratos com a COAF. O último deles no valor de 1.550 reais, que expirou em maio de 2015. Por que vocês não entrevistam o presidente da Comissão de Licitações a respeito?

  • A Prefeitura, mais recentemente, efetuou pelo menos dois contratos com a COAF. O último deles no valor de 1.550.000 reais, que expirou em maio de 2015. Por que vocês não entrevistam o presidente da Comissão de Licitações a respeito?

  • Por que vocês não entrevistam o presidente da Comissão de Licitação da Prefeitura, no Paço Municipal? O último contrato com a COAF venceu em maio de 2015, firmado, ao que tudo indica, no governo Jonas. Peçam Editais e Termos de Adjudicação. Onde há fumaça, pode haver fogo.

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