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2 min readFilho de Goulart cobra R$ 2 mil para dar palestra em Campinas

O seminário para debater as causas e os efeitos do golpe militar deflagrado no Brasil em 1964 e que culminou numa ditadura que perdurou por 21 anos promovido pela Secretaria de Educação de Campinas vai custar R$ 6.487,36 aos cofres públicos. O encontro será nesta terça-feira (29/04), a partir das 9h, na Câmara de Vereadores de Campinas.

Desse valor, R$ 2.000 serão pagos para o filósofo João Vicente Goulart Filho – filho do ex-presidente Jango. A secretaria também custeará a passagem de avião no valor de R$ 243,69.

Os outros palestrantes, o cineasta Paulo Henrique Fontenelle e o historiador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Caio Navarro de Toledo, receberão o mesmo valor destinado ao filho de Jango. Os três irão receber um valor líquido de R$ 1.680,00.  A secretaria também pagou o custo da passagem de avião para Fontenelle.

A secretária municipal de Educação, Solange Villon Kohn Pelicer, estará  presente no encontro. A Pasta quer debater os prejuízos do golpe militar que  estabeleceu no Brasil um regime de exceção que permaneceu até 1985 – período no qual houve supressão das liberdades políticas, prisões arbitrárias, inúmeros casos de torturas, banimentos, humilhações e mortes, além de censura a jornais e revistas e perseguição a artistas.

A carreira política de João Goulart foi vertiginosa. Em 14 anos ele passou de deputado estadual que se elegeu com pouco mais de quatro mil votos para a Assembleia gaúcha em 1947, a presidente da República, em 1961. Mais impressionante ainda foi sua queda. Em dezoito dias, o líder popular que prometia uma “revolução pacífica” com as “Reformas de Base”, perdeu o governo e teve que exilar-se no Uruguai para salvar a vida. Morreu 12 anos depois, quando se preparava para voltar e ser apenas um fazendeiro.

Em março de 1964, quando os militares tomaram o poder, Vicente era um menino de sete anos. Em entrevista, ele contou que na época, chegou a perguntar ao pai por que ele não era mais presidente. “O Congresso lá fez um decreto e me deixou sair antes do meu emprego”, teria respondido Jango.

Em 1973, com o golpe de Estado no Uruguai, a situação ficou ainda mais complicada. A família passou a residir na Argentina após convite do presidente Juan Perón. De acordo com a versão oficial, Jango morreu vítima de um enfarte fulminante, mas os parentes contestam e levantam a hipótese de que teria sido envenenado. O filho de João Goulart vai contar essas histórias no Legislativo campineiro.

 

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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