CASO OURO VERDE

Gaeco vai investigar contrato do Ouro Verde

Rose Guglielminetti
Escrito por Rose Guglielminetti

O Gaeco – grupo do Ministério Público de combate ao crime organizado – decidiu abrir um inquérito para investigar o contrato emergencial assinado pela Rede Mário Gatti e a Organização Social Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim). 

O contrato – no valor de R$ 1,6 milhão e em vigor desde o dia 11 de dezembro de 2018 – corre o risco de ser considerado ilegal, pois, segundo denúncia feita pelo vereador Tenente Santini (PSD),  o Cejam tem como presidente o advogado Arly de Lara Romêo, que também é presidente da Sanasa – a empresa de abastecimento de Campinas. 

Segundo o vereador, Arly não poderia manter qualquer vínculo comercial com a administração direta ou indireta. A proibição, diz ele, está prevista na Lei orgânica do Município (art. 131. inciso 3º). O Cejam foi contratado de forma emergencial para prestar serviços médicos

Arly disse ontem em entrevista ao programa “Bastidores do Poder”, da TV Band, que deixou de ser presidente do Cejam em 14 de setembro do ano passado–- ou seja, menos de três meses antes da assinatura do contrato.

 Na entrevista, Arly disse que não pediu ou fez qualquer  tipo de ingerência para a contratação da Organização Social. 

“Eu não pedi para contratar, não assinei nada. Não participei de nada”, disse ele.  “Eu emprestava o nome lá. Era um trabalho voluntário numa entidade muito respeitada”, argumentou ele.

Apesar de ter dito que deixou a entidade, um levantamento realizado na Receita Federal, mostra que Arly constava como presidente até a manhã de ontem. O presidente da Sanasa argumentou, porém, que a atualização da Receita está atrasada.

“Esse processo (de retirada de nome) demora para ser oficializado. Eu sai no dia 14 de setembro de 2018 porque estava com muita coisa para fazer. Às vezes eles vinham em Campinas para despachar comigo na hora do almoço. Emprestei meu nome em homenagem ao Pinotti (José Aristodemo, fundador da entidade). Nunca recebi um centavo”, disse Arly.

Consultada pelo Metro Jornal, a advogada especialista em Direito Público, Maria Odete Pregnolatto afirmou que a Receita Federal tem fé pública e em caso de alguma possível irregularidade cometida pela O.S., a figura jurídica responsável é o diretor presidente que consta no cadastro do órgão.

O Cejam limitou-se a informar que participou da licitação em Campinas e que os profissionais mencionados não fazem parte da diretoria desde 2018. 

Desligamento de Arly só se deu no mês de novembro 

O advogado e presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo permaneceu como presidente do Cejam até 20 dias antes do início do contrato com a Rede Mário Gatti. As informações foram prestadas ao presidente da Rede Mário Gatti, Marcos Pimenta pela própria Cejam, durante o processo de contratação da empresa para o serviço emergencial. 

“A Comissão de Licitação identificou o nome de Arly na direção da O.S., e pediu informações. A resposta foi a de que ele pediu afastamento do cargo no dia 3 de setembro. E que o desligamento se deu no dia 20 de novembro”, revelou  Pimenta, ontem.

Segundo ele, o departamento jurídico da Rede considerou que, com o desligamento, não havia impedimento para que a empresa fosse habilitada e passasse a prestar serviços. Segundo Pimenta, o contrato do Cejam com a Rede teve início em 28 de novembro de 2018 e deve terminar em 1º de março de 2019. Um novo processo licitatório foi realizado e o Cejam novamente saiu vencedor. Desta vez, por um período de 12 meses – prorrogáveis por mais 60 meses – ao custo de R$ 288 mil por mês.  METRO

Sobre o autor

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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Comentários

  • Ha rumores que a quadrilha do prefeito esta (esquentando) uma empresa para assumir a tercerizacao da Rede Mario Gatti, dai demora para ativar a UPA do Carlos Lourenco.Pois e nitido que a PMC nao tem RH para colocar no local e pelo visto nao havera concurso na cidade tao cedo.
    Fiquemos ligados pois estao querendo assumir a vaga do PCC aqui em Campinas.

  • O Sr. Arly somente pediu para deixar a presidência da CEJAM, porque sabia do seu impedimento quanto à licitação, por ser vinculado à Prefeitura (SANASA); é o que transparece até para os mais ingênuos.

    Deixou a presidência da empresa para não haver nenhum óbice para a contratação pela Rede.

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