Início » Haiti, um país que ainda pede socorro

4 min readHaiti, um país que ainda pede socorro

Billy Bernardin é um menino de 8 anos que mora em um orfanato do Haiti. Seu sorriso e o gingado ao ouvir uma música demonstram uma alegria que contagia a todos. A miséria e a destruição de seu país são esquecidas por alguns segundos ao contemplá-lo. Nadia também é outra criança que conquista a todos pela espontaneidade. Ela é pura festa. Os dois representam o futuro do país que é um dos mais pobres da América e detém o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do continente americano, segundo a ONU. Eles mesmos são vítimas da pobreza – nem sempre têm duas refeições diárias (e estou falando apenas de um prato de arroz puro ou um cozido de polenta) para comer. Mas contam com a solidariedade de muitas pessoas que se dedicam ao próximo.
Hospitais e orfanatos contam com o apoio dos voluntários. São missionários e freiras que trabalham horas cortando o infernal trânsito de Porto Príncipe – onde moram 9 dos 11 milhões de habitantes do Haiti – para levar comida e ajuda médica para os idosos e crianças, já que a maioria da população vive abaixo da linha de pobreza e cerca de 60% dos habitantes são subnutridos.

Em todo o Haiti o caos está instalado – não há saneamento básico (banheiro é um luxo), as moradias são casebres de madeira; o comércio é uma feira ambulante que se instalada m cada esquina – ali vende de um tudo desde comida até roupas; a oficina mecânica e as borracharias são a céu aberto. As ruas da capital são esburacadas e sem asfalto. A poeira e o calor são os donos do lugar. Para evitá-los as mulheres usam toucas e chapéus.

Se a miséria choca, a existência de um bairro de classe média alta também. Pention Ville concentra um bom número de mansões e carros de luxo. De outro lado, há ainda pessoas que moram na área mais atingida pelo terremoto de 2010 em barracos de lona. Crianças e velhos esquecidos à própria sorte. “Não há nada de bom que possa vir do Haiti”, disse uma moradora que trabalha em um dos 800 orfanatos de Porto Príncipe.

Mas há coisa boa sim. A alegria e o voluntariado fazem toda diferença no País. Francisco César e Ana Lúcia Bezerra são dois brasileiros que foram morar no Haiti após o terremoto de 2010. Ele conta que duas cenas o chocaram: Um menininho deitado em um banco, morrendo de fome e sem forças para espantar as moscas e crianças pegando papelão para fazer comida. Eles socorreram a criança que hoje está bem e o orfanato agora conta com ajuda de comida. Assim como eles, outros voluntários têm sido a esperança deste povo tão sofrido.

 

Um olhar para o próximo

Um grupo de 13 brasileiros – eu estava entre eles – esteve no Haiti neste mês para fazer trabalho voluntário, liderado pelos pastores Adenir e Sônia Leônis. Eram missionários das igrejas do Evangelho Quadrangular, Nazareno e Assembleia de Deus.

O serviço foi desde pegar um bebê no colo para dar-lhe afeto porque este não tem mãe até lixar beliches e pintá-las para um orfanato.

Como não se emocionar ao ver um idoso aprendendo a ler e uma criança rir alto com uma peça de teatro? Como não ser grato pelas pessoas que não foram, mas doaram verba para custear a escola de 108 crianças? Foram dias de lágrimas, mas também de muita certeza de que há esperança para este país.

 

Sujeira – Lixo a céu aberto
Os haitianos descartam os resíduos sólidos em qualquer lugar. Em vários pontos do Haiti a cena é de muito lixo e mau cheiro

 

Camelôs. Comércio local

As feiras – onde se vende desde comida até carvão – são o local onde o haitiano faz as compras. E esses espaços são feitos nas calçadas e muitas vezes os produtos são jogados no chão.

 

Trânsito. Sem regras

Dirigir no Haiti exige habilidades extraordinárias. Não há semáforos e nem regras. Ver um carro andando sobre a calçada é uma cena comum.

Cozinha. Sem infraestrutura

Se não há comida, imagine utensílios para preparar a refeição. Nos orfanatos, as cozinhas são precárias, assim como os banheiros.

Escombros do horror. Morte

Os restos das paredes da Catedral Episcopal Santíssima Trindade, em Porto Princípe, convivem hoje com barracos  de lonas e tecidos de pessoas que não têm onde morar. A médica sanitarista Zilda Arns morreu neste local durante o terremoto de 2010. Ela estava no país fazendo trabalho humanitário

 

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

3 comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

  • Nao precisa ir muito longe para achar brasileiros na mesma situacao, acho que temos problemas sufucientes no brasil, problemas de brasileiros que precisam de atencao prioritaria… mendigo nao da esmola.. precisamos resolver os problemas dos brasileiros que sao os pagadores de impostos… Haiti é problema do Haiti, das Nacoes Unidas e de países desenvolvidos.

  • parabéns pela matéria, Rose. Saber dessas coisas nos leva a refletir sobre a fragilidade da vida humana, e de como o egoísmo e ambição pelo poder resulta em imenso contraste social e sofrimentos que seriam desnecessários se os homens colocassem em prática o amor altruísta.

Mais Categorias