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3 min readSérgio Moro deixa o Ministério da Justiça e diz que PF sofre intervenção política

Abatido, Sérgio Moro deixa o cargo do Ministério da Justiça e da Segurança Pública nesta sexta-feira (24/04). A saída do ministro teve como pano de fundo a demissão de Maurício Valeixo, diretor da Polícia Federal. Moro lembrou que o presidente Jair Bolsonaro deu a ele carta branca para nomear a sua equipe. Porém, Moro disse nesta sexta-feira (24/04) que o presidente disse que tinha a intenção de trocar os cargos chefes da Polícia Federal.

Segundo ele, o presidente começou a querer trocar cargo da direção da PF no segundo semestre do ano passado. Ele disse que deu autonomia para escolher os superintendentes. “A única pessoa que indiquei foi o Valeixo. O problema são as indicações políticas”, disse ele.

Moro afirmou que não teria problema em trocar o diretor-geral da PF se houvesse uma causa como um erro grave, por exemplo. “O que eu vi foi um trabalho bem feito”, disse ele.

Moro disse que ontem (23/04), Bolsonaro disse que trocaria Valeixo.

E eu disse que seria uma interferência política na Polícia Federal e o presidente disse que sim. O presidente me disse que gostaria de ter alguém que ele pudesse ligar, pedir relatório e ter informações das investigações. Esse não é o papel da PF. A autonomia da PF é um valor fundamental que temos de preservar dentro de um estado de direito. Imagine se na Lavo Jato a Dilma ligasse pedindo informações sobre as investigações

Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública

Moro disse que tem o dever moral de defender a Polícia Federal. Disse que ficou sabendo da exoneração de Valeixo não foi comunicada a ele. “Não assinei essa demissão”, disse o ministro.

O que está claro é que o presidente me quer fora do cargo. Há uma questão envolvida da minha biografia como juiz relativo à lei e a defesa do estado de direito. Tenho que preservar o compromisso de combater a corrupção e a autonomia da PF contra interferências políticas”

Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública

Moro também falou sobre a conversa com o então presidente eleito Jair Bolsonaro no dia 1º de novembro de 2018, quando ele pediu autonomia para o combate à corrupção, ao crime organizado e a violência. “Pedi carta branca para nomear todos os assessores.

O ministro fez ainda um balanço da sua gestão mostrando que houve quedas em dados violentos como o fato de que mais de 10 mil brasileiros deixaram de ser assassinados.

“Tive apoio do presidente nestes projetos, outros nem tanto”, disse ele.

STF

Sergio Moro disse que nunca condiciou a aceitação do cargo a uma vaga de ministro no STF (Supremo Tribunal Federal).

Pensão

Ele revelou que a única condição que colocou para aceitar o cargo foi o governo garantir uma pensão à sua família, caso “acontecesse algo comigo”.

“Como abandonei a magistratura e tive que abrir mão de 22 anos de contribuição à previdência, pedi que se algo me acontecesse pedi uma pensão para que a minha família não ficasse desamparada”, disse ele.

Futuro

Ele disse que vai descansar um pouco e que vai procurar um emprego. “Vou começar a empacotar as minhas coisas. Não enriqueci e sempre estarei à disposição do país para ajudar no que for preciso”

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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