ELEIÇÕES 2018

Servidores de Campinas dizem que estão sendo coagidos a fazerem campanha para França

Rose Guglielminetti
Escrito por Rose Guglielminetti

Servidores em cargos de confiança e comissionados da Prefeitura de Campinas estão indignados com a pressão que o governo Jonas Donizette (PSB) está fazendo sobre eles para que façam campanha ao candidato do PSB ao governo de São Paulo, Márcio França. Disseram que havia uma lista com o nome, cargo, secretaria, telefone e escola e número da zona em que os funcionários votam – para eles uma forma de coação e uso da máquina pública.

Segundo eles, numa reunião ontem, às 19h, que reuniu cerca de 500 pessoas na Casa de Portugal houve uma ordem explicita para que os presentes se empenhassem na eleição de França. O mais contundente, segundo eles, foi o secretário de Relações Institucionais, Wanderlei Almeida. Segundo alguns servidores, Wandão, como é conhecido, disse que França deveria ser eleito porque convidaria o deputado Lauro Jardim para ser secretário do governo do PSB, abrindo assim vaga na Câmara Federal para Luiz Lauro Filho, sobrinho do prefeito e que saiu derrotado nas urnas. Como primeiro suplente ele teria a cadeira de volta.

Wandão também disse que os servidores teriam de adesivar o carro com a foto de França. Mais ainda: os carros já deveriam sair da reunião adesivados. E para os que dizem que o veículo é da esposa, o secretário disse: “Se vocês não conseguem convencer sua mulher como convencer alguém?”. Quem estava na reunião disse que ele estava bem intimidador e exaltado.

Só lembrando que França ficou em terceiro lugar no primeiro turno em Campinas: obteve 17,39% dos votos. Joao Doria (PSDB) teve 19,16% dos votos e Paulo Skaf (MDB), 19,16%

Já o prefeito Jonas Donizette (PSB) pegou o celular e o encostava no microfone para que o pessoal ouvisse João Doria falando e se referia a ele como “esse aqui”.

Mas o que chamou a atenção mesmo na fala de Jonas foi quando ele se referiu ao ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O prefeito disse que deixou a sua agenda livre para receber o tucano em Campinas. “E quem deveria estar, não estava”. Para meio entendedor a fala se dirigia à cúpula tucana do PSDB campineiro.

Outro lado

Wandão negou coação ou pressão para que servidores que tenham cargos em comissão ou sejam assessores façam campanha para França. “Eu entendo que as pessoas que estavam naquela reunião sejam ligadas a partidos que compõem o governo Jonas Donizette. É importante para Campinas que o Marcio França ganhe. O principal aliado político nesta empreitada se chama Jonas Donizette”, disse ele.

Ele disse ainda que fez a mesma reunião no primeiro turno e não coagiu ninguém – tanto que o candidato do governo (Luiz Lauro Filho) perdeu a eleição. “Fizemos um convite e defendemos esse projeto político. E fizemos a reunião fora do horário de expediente”, ressaltou.

O secretário minimizou ainda a derrota de França na cidade no primeiro turno. Para ele, o resultado não pode ser atribuído a uma rejeição ao governo Jonas. “Os votos foram bem diluídos. Todos os candidatos tiveram voto e o PT foi bem votado. A diferença entre o Skaf e o França foi de apenas 9 mil votos. Quando o França assumiu o governo, uma em cada 10 pessoas não sabia quem ele era. Hoje, 15% ainda não conhece ele, mas agora temos o segundo turno para mostrar que isso vai mudar”, disse ele.

Sobre o autor

Rose Guglielminetti

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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Comentários

  • Rose.
    O minimo que esses comissionados deveriam fazer e agir com a verdade, no primeiro turno ocorreu a mesma reunião, porem no barracão do PSB, e foram todos convidados a defender o projeto politico do psb, que era fazer a dobrada eleita, e também o governador marcio frança, reeleito.
    Se esses comissionados que a grande maioria e filiada ao partido do prefeito, não querem defender o projeto que eles fazem parte avançar no estado de são paulo, que eles assumam as suas responsabilidade de declinar de todos os beneficios que eles possuem em fazer parte desse projeto.
    No dia de ontem ninguém foi obrigado a nada, apenas convidado para serem fiscais no dia da votação, e ponto.

  • Quem tem ligação com partido, vive às custas disso, tem mais é que se lascar e trabalhar pra eles, fora do expediente de trabalho para o qual estão contratados, obviamente. Mas aqueles que hoje exercem função comissionada por necessidade técnica do trabalho, e não política, aí é um problema essa pressão. Isso não é novidade nenhuma, cansamos de ver isso e já não é de hoje.

  • O mais divertido é a Rose ter ilustrado o post com fotos do Rafa. Ele postou isso? Dizendo o quê? Que toda aquela gente foi à reunião por livres e espontâneas vontade e interesse?

  • Affff Rose, vc é melhor que isso. Todo mundo sabe que comissionado deve apoiar o projeto político do seu patrão. Não vi a mesma reação da mídia no caso quando o dono daquela grande loja que coagiu seus funcionários.
    Isso é coisa dos comissionados da cota do Carlão Sampaio, só pode.

  • kkkkkkkkkkk já diz o nome cargo de confiança, se não apoia pede para exonerar se a causa é politica vai fazer reunião de curte e custura que matéria mais nada com nada.

  • A questão é que boa parte dos servidores que ocupavam cargos por necessidades técnicas , foram exonerados do cargo pra dar lugar a servidores indicados por motivos políticos , e boa parte gente não sabe e não gosta de trabalhar , além de contar com a vista grossa da chefia , que aproveita essa época pra pressionar , “Olha , você só esta la porque eu quero . Portanto vota no cara , se não ta fora

  • Eu sou de São Vicente, cidade onde o Márcio França foi prefeito e acredito piamente em tudo que li! Conheço bem esse sujeito, tenho várias histórias. São Vicente vive na base do terrorismo eleitoral e coronelismo! Não quero Márcio França como governador!!! Voto em uma barata mas não voto no Márcio França JAMAIS!!!

  • É o JONAS sendo JONAS!

    O prefeito JONAS DONIZETTE está desesperado por ver seu projeto de se perpetuar no poder através de seus apadrinhados, escoar pelo ralo.

    Afinal, além de não quererem largar o osso, ficarão mais expostos à investigações do Ministério Público por não terem mais foro privilegiado. Então vale tudo nessa reta final.

    Atentar-se, ainda, para uma das estratégias ardilosas do JONAS em querer reconduzir seu sobrinho LUIZ LAURO FILHO (suplente), a assumir a Câmara Federal com a contratação do deputado eleito Lauro Jardim para ser secretário do governo PSB, caso Márcio França assuma o governo.

    É a velha e repugnante forma de se fazer política, usando de todos os artifícios pra se manter no poder, sempre desrespeitando os eleitores e não demonstrando o mesmo empenho em benefício da população.

  • esse é o aparelhamento da cidade de Campinas, comissionados pagos com o dinheiro do povo trabalhando para um projeto de poder, o próximo prefeito vai ser do 17 e vai acabar com a roubalheira da SANASA e da CPFL com seus valores abusivos

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