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Tragédia reacende discussão sobre barragens em Pedreira e Amparo

Marcos Andrade
Escrito por Marcos Andrade

A tragédia em Brumadinho (MG) reacendeu a discussão sobre a construção das barragens de Pedreira (SP) e Duas Pontes, em Amparo (SP).

Apesar das diferenças entre uma barragem de rejeitos, como a que foi rompida na tragédia mineira, e uma hídrica, como serão construídas nas duas cidades da região, elas guardam semelhanças, como aponta Felipe Feliciani, especialista em Planejamento Ambiental Territorial:


“A força que se retém atrás de um paredão desses, seja de rejeitos ou de água, é monstruosa”.

Felipe Feliciani, especialista em Planejamento Ambiental Territorial

Em caso de rompimento, a situação em Pedreira seria mais grave, já que a barragem vai ficar a cerca de 3 km da região central da cidade:
“Se a gente for pensar em planos de contenção de riscos, de emergência, 3 km para a velocidade com que essa água seria liberada, infelizmente, não existe nada prévio que evite e estamos falando do centro de uma cidade. Em Amparo existem bairros, como o Duas Pontes, que estão logo abaixo do paredão, então existe o risco iminente que precisa ser levado em consideração”.

O especialista alerta que ainda não há um plano de emergência para as duas barragens: “Isso é condicionante do projeto, mas ele vem sendo desenvolvido enquanto as obras vão caminhando, vão saindo as licenças, isso é um problema. Ao meu ver, são coisas que precisam ser discutidas, aprovadas, previamente a qualquer tipo de gasto público”.

O reservatório de Pedreira vai ocupar uma área de 4,3 km2 em Pedreira e Campinas. A previsão é que tenha capacidade de 31,9 milhões de metros cúbicos de água, disponibilizando uma vazão de 8,5 mil litros de água por segundo. Já o reservatório Duas Pontes terá uma área de 8,8 km2, em Amparo, com capacidade para 53,4 milhões de metros cúbicos, disponibilizando uma vazão de 8,7 mil litros de água por segundo.

Em nota, a secretaria Estadual do Meio Ambiente disse que as barragens de Pedreira e Duas Pontes em nada se assemelham à barragem de Córrego do Feijão, que desabou em Brumadinho (MG). As barragens paulistas estão sendo construídas para armazenamento de água, que servirá para o abastecimento de 5,5 milhões de habitantes em 23 municípios da região de Campinas. O método construtivo segue um rigoroso plano de segurança previsto no projeto, conforme determina a legislação. O Departamento de Águas e Energia esclarece ainda que os reservatórios contarão com sistema de controle da vazão, que monitora o nível de água armazenada, reduzindo os riscos de extravasamento.

Sobre o autor

Marcos Andrade

Marcos Andrade

Marcos Andrade é formado em jornalismo pela Unesp e pós graduado em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais pelo Senac. Com passagens pelas rádios Band News FM e Bandeirantes de Campinas, é produtor do programa Bastidores do Poder da Band Campinas desde 2016.

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Comentários

  • Enquanto nesse pais tiver leis que permitem empresas ” doar ” dinheiro para campanhas de politicos e também verba pública para ser ” doada ” a partidos politicos NUNCA seremos um pais justo e sério . Com todo esse dinheiro que eles ” ganham ” todos eles depois de eleitos irão SEMPRE estar a disposiçao de favorecimento a essas empresas contra a ética …moral…e a vida humana …a represa de mariana e brumadinho causaram destruiçao ambiental e muitas mortes ,porém ninguém comenta que quem disparou o gatilho foi a classe politica e mais uma vez ficarão impunes a tantas desgraças as quais sai de total responsabilidades deles .

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