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Unicamp identifica reinfecções por “linhagens de não preocupação” do coronavírus em quatro funcionários

Quatro funcionários do HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp foram reinfectados pelo coronavírus, segundo uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE), do Instituto de Biologia (IB) da unicamp.

De acordo com o estudo, os vírus encontrados nas amostras dos pacientes não correspondem às chamadas variantes de preocupação, VOCs (Variants of Concern), tipos mais comuns do SARS-CoV-2 identificados em casos de reinfecção. Com a informação, o caminho será a investigação sobre características da resposta imune produzida no organismo a partir da infecção pelo coronavírus e pelas vacinas, além de evidenciar a importância das medidas de proteção.

As pessoas – três enfermeiras e um colaborador do HC – doentes pela segunda vez tem idade média de 44 anos. Os pacientes foram infectados entre os dias 5 de abril e 10 de maio, com contaminação pela linhagem B do SARS-CoV-2, a primeira que circulou pelo Brasil no início da pandemia. Não houve complicações do caso. A segunda reinfecção dos pacientes ocorrerem no período de 55 a 120 dias da primeira contaminação.

“Nossa primeira pergunta foi: será que esses pacientes, que apresentam casos de covid-19 pela segunda vez, são casos de reinfecção ou se trata de uma infecção viral persistente, ou seja, o vírus não saiu da pessoa?”, explicou o professor José Luiz Módena, coordenador do LEVE, ao jornal da Unicamp.

Segundo o estudo, o sequenciamento e a comparação da amostra revelou que os vírus encontrados nos segundos episódios eram de linhagens muito semelhantes às identificadas nos primeiros casos.

O coordenador explicou que os casos de reinfecção pelo SARS-CoV-2 não são comuns, mas a tendência que vem sendo registrada é que, quando eles ocorrem, são em decorrência da infecção por variantes de preocupação, apresentando uma quantidade significativa de mutações que podem alterar a estrutura das proteínas de superfície do vírus, chamada spike, o que pode facilitar a entrada nas células do organismo, tornando-o mais transmissível, ou ainda escapando dos anticorpos produzidos em consequência de infecções prévias causadas por  SARS-CoV-2. Atualmente, as variantes que mais causam preocupação são as de Manaus (P1), do Reino Unido (B1.1.7) e da África do Sul (B1.351).

Os casos de reinfecção entre profissionais do HC chamam então a atenção porque não era esperado que o vírus escapasse à resposta imune dos pacientes justamente por não apresentarem as mutações significativas nas proteínas spike. Segundo Módena, uma das hipóteses para que isso tenha ocorrido é de que, por estarem na linha de frente do combate à covid-19, eles estão mais expostos a contaminações. 

Vacinas continuam seguras e cuidados seguem necessários

Apesar de não apresentarem mudanças significativas que as determinem como novas variantes ou linhagens do SARS-CoV-2, o professor ressalta que em três dos quatro casos foi identificada uma mutação pontual na proteína spike, que não é descrita como fator de preocupação, mas que vem sendo observada em pesquisas que documentam casos positivos para covid-19 em pessoas já vacinadas. “Ela pode ser uma mutação que passou despercebida, que ninguém nunca prestou atenção, mas que agora pode estar envolvida em casos de escape imunológico”, comenta. 

Entretanto, isso não torna as vacinas contra o coronavírus menos seguras ou eficientes, já que a resposta imune do organismo não se restringe apenas à produção e ação dos anticorpos. “Estamos tentando caracterizar o potencial do vírus de continuar circulando mesmo em pessoas que foram vacinadas. Mas isso não quer dizer que a vacina não funciona, ou que ela não é eficaz, ou mesmo que a infecção pelo SARS-CoV-2 não dê nenhum tipo de proteção para uma segunda infecção. Nós estamos olhando um braço da defesa, que são os anticorpos, e para apenas uma das suas funções, que é a capacidade que eles têm de neutralizar os vírus”, esclarece. 

O que Módena alerta é que mesmo as pessoas que já foram vacinadas precisam manter cuidados como o distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos, já que as vacinas protegem contra o desenvolvimento da covid-19, mas não impedem a transmissão do vírus: “Se as pessoas que foram vacinadas começarem a sair, não usarem mais máscaras, não tomarem nenhum cuidado, elas podem fazer com que esses vírus continuem sendo transmitidos. Esse processo de transmissão entre vacinados e pessoas não vacinadas, aliado à taxa de mutações do vírus, pode levar ao surgimento de um vírus que realmente escape à proteção das vacinas e cause doenças, e isso é o que não queremos”. 

Fonte: Jornal da Unicamp e foto: Liana Coll

Rose Guglielminetti

Sou comentarista política da Band-Campinas. Também sou colunista do programa "Bastidores do Poder", que vai ao ar todos os dias das 13h20 às 14h, na Band Campinas. Entre tantas editorias a de Política é a das que mais me atrai. E isso fez com que me enveredasse por esse caminho ao longo de minha carreira. Como repórter de Política sempre busquei oferecer notícias de bastidores do poder. E é isso que irei procurar fazer neste blog.

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